Jorge Honorato da Silva, funcionário público estadual, aposentado na Secretária de Justiça, em abril de 1944 foi detento de justiça no presídio e ali começou a sentir fenômenos mediúnicos de ver, ouvir e sentir manifestação de Espíritos. Tinha por companheiro o detento Antonio José Ferreira, simpatizante do Espiritismo. Alguém amigo dera-lhe livros doutrinários para ler. Ambos se dedicaram de tal maneira que sondaram o diretor do Presídio e tudo parece levar a crer ser este mais um simpatizante do Espiritismo. Conseguiram autorização para fundar um Centro Espírita para estudo da Doutrina Espiritista dentro daquela casa de correção criminal. Em abril do ano citado convidaram outros companheiros, pela manhã depois do café, e fundaram uma casa espírita cujo nome era: Centro Espírita Padre Germano.
Honorato soube que a FEPB, há dez anos antes da fundação desse Centro, já realizava palestras e fazia visitas semanais à Casa de Detenção, porém o sacerdote capelão da mesma, cônego João de Deus Mindello, tendo grande prestígio junto às autoridades Judiciais conseguiu sustar a ação religiosa da FEPB impedindo a sua continuação. Jorge Honorato fez convite a FEPB e foi assim que recomeçaram as visitas e houve o retorno dos oradores da casa dos Espíritas, que céleres, acorriam àquela casa de Detenção, sempre aos domingos, para fazer palestras educativas com lições do Evangelho Segundo o Espiritismo e dos muitos livros espíritas levando como ajuda material, cestas de alimentos além do maravilhoso pão do espírito, consolador e reconfortante nas necessidades morais.
Em outubro de 1947, a FEPB havia organizado um grande evento, coisa que não era comum em João Pessoa. O acontecimento ficou conhecido como III Congresso Nordestino decorrente de quatro congressos conveniados pela Federação Espírita de Alagoas. O primeiro fôra em Alagoas, O segundo em Pernambuco, e o quarto no Rio Grande do Norte sendo todos realizados com o êxito que se esperava. As visitas à casa de Detenção estavam inseridas no programa do C.E. Pe. Germano. No domingo, uma caravana de congressistas incorporados à diretoria da FEPB e os centros Espíritas adesos, realizaram uma visita àquela casa. Aberta a sessão no auditório pelo presidente da FEPB, José Augusto Romero, com a presença do Presidente do C.E. “Padre Germano”, Jorge Honorato, falaram vários representantes com a culminância da bela exposição de Jorge Honorato, num improviso sensível e comovente que admirou os presentes.
O então presidente da Federação Espírita Pernambucana, Lírio Ferreira, também fez palestra e ofereceu em nome da entidade que representava, 50 livros do Evangelho Segundo o Espiritismo para distribuir com os presidiários. Ao ser desativada aquela casa Carcerária mais tarde com a construção da Penitenciária Modelo no bairro do Roger, o Centro Espírita Pe. Germano, continuou nos trabalhos de divulgação e prestação de assistência aos encarcerados, sempre com o apoio da FEPB, levando oradores diversos e ainda com assistência da juventude Espírita que funcionava na casa máter sob a direção de Laurindo Cavalcante. Naquela nova casa correcional Jorge Honorato já havia sido libertado voltando ao seio de sua família como cidadão livre juntamente com o amigo e irmão o ex-detento, Antonio José Ferreira, ambos fundadores do Centro Espírita Padre Germano. Esse nome foi dado em homenagem ao personagem principal do Livro “Memórias do Padre Germano” de autoria da espírita espanhola, Amália Domingos Soler. Jorge Honorato continuou a tomar parte nas Sociedades Espíritas.
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