A diretoria da FEPB realizava palestras, conferências no seu acanhado salão, onde cabiam pouco mais de 100 pessoas, convidando confrades do movimento dos estados vizinhos. Numa dessas oportunidades foi convidado o grande tribuno espírita cearense major Manoel Viana de Carvalho, considerado a glória dos oradores espírita brasileiros. Tido como polemista de fôlego, sempre respondia aos ferozes ataques desfechados pelo clero com a lição da Doutrina Espírita, a ponto de os abalarem tornando-os emudecidos, tal era o arroubo colocado nas palavras que fluíam fáceis. Viajou por todo o País a serviço da profissão. Era Major engenheiro militar do exército Brasileiro e onde quer que fosse designado para prestar serviço, ali, ele fundava dezenas de centros Espíritas arrebanhando os colaboradores para a obra de difusão da Doutrina.
Foi em novembro de 1923 que ele chegou a esta cidade vindo de Recife. Recebido pela diretoria da FEPB para reunião que começaria às vinte horas, logo na conversação chegou-se a conclusão que o salão que servia de auditório na casa era pequeno para conter os que queriam ouvir aquele fenômeno da palavra. Assim escolheram a praça Vidal de Negreiros e naquela noite encheu-se de espíritas, católicos, protestantes. Todos para ouvi-lo.
A revista “O Além” registrou que ele falou por duas horas seguidas, assombrando a todos pela riqueza de assunto e conhecimento disponibilizado. O major “Manú”, como era conhecido nas rodas espiritistas, fez na improvisada tribuna a maior conferência que se podia ouvir, e nela rebateu as imprecações contra o Espiritismo, tendo no final da oração, saudado a multidão e em troca recebeu a maior ovação que um orador espírita poderia receber.
No outro dia, o jornal “A imprensa”, órgão da igreja católica, lançou o grande e veemente protesto de apôdo e de zombaria contra o orador e o Espiritismo. Após essa conferência a FEPB lotava seu salão para assistir as reuniões doutrinárias da semana.
Em 17 de Janeiro de 1924 foi eleita uma nova diretoria que ficou assim composta: Presidente - João Gomes Coelho; Vice - Eugênio Ribas Neiva; 1º. Secretário - Getúlio Cezar; 2º. Secretário - João Bernardo de Freitas; Tesoureiro - Aníbal de Gouveia Moura; Bibliotecário - Manoel Francisco Rabelo. Esta diretoria deu prosseguimento aos trabalhos normais da FEPB, realizando “Sessão de Doutrina”, como era assim conhecida, e reuniões para Desenvolvimento Mediúnico as sessões “de Caridade”. A revista “O Além” divulgava como orientação a quem quisesse freqüentar a casa: “A entrada é permitida a todas as pessoas de bons costumes, mediante autorização do presidente. Depois de começados os trabalhos a ninguém mais se dará ingresso para não haver perturbação do silêncio que deve ser o mais rigoroso possível”.
De 17 de Janeiro de 1924, até 1928, a FEPB tem novo presidente: o engenheiro José Rodrigues Ferreira. Apesar de ter nascido no Brooklin em Nova York (EUA), filho de cônsules brasileiros naquela cidade, firmou raízes de profundo afeto no solo paraibano e divulgou o Espiritismo inclusive no Alto Sertão da Paraíba. Seu corpo foi sepultado no cemitério de Aparecida, cidade que fica a 16 Km de Sousa, tendo no seu túmulo a inscrição existente no túmulo de Kardec, sendo em português: “Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sempre, tal é a lei”.